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08.2009

Um em cada 30 brasileiros possui hepatite B ou C

mulher-sombra-hepatite-210108A doença é silenciosa e os sintomas só aparecem no estado grave. Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada 30 pessoas no Brasil (cerca de quatro milhões de pessoas) tem o fígado atacado pelo vírus da hepatite B ou C. O panorama mundial é ainda mais grave: em cada 12 pessoas pode estar infectada (520 milhões de pessoas). Os números são alarmantes por refletirem doenças que agem silenciosamente e, por isso, a maioria dos portadores não sabe que está doente e não busca auxílio médico. Sem diagnóstico e tratamento adequados, os casos podem evoluir para insuficiência hepática, cirrose ou câncer hepático.

A busca por exames diagnósticos é fundamental para impedir a evolução da doença. “A falta de informação sobre as hepatites e sobre a existência de tratamentos são o grande problema do cenário brasileiro”, afirma Carlos Varaldo, presidente da ONG Otimismo, que participa da campanha “Sou o número 12?”, promovida mundialmente pela World Hepatitis Alliance.

Dados ainda afirmam que mais de 95% das pessoas desconhecem que estão infectadas e que o quadro pode se agravar. “Não realizar campanhas de detecção de hepatites pode acarretar grande aumento nos casos de cirrose, câncer e insuficiência hepática nos próximos anos”, ressalta Varaldo. “O importante é que as pessoas percebam a importância do teste e saibam que, no caso de diagnóstico positivo, há tratamento”, completa.

Transmissão
Hepatite B: a transmissão ocorre quando o sangue ou fluidos orgânicos contaminados pelo vírus penetram na corrente sanguínea. Isso pode acontecer de mãe para filho, na hora do parto, por contato sexual, compartilhamento de seringas ou agulhas e transplante de órgão ou tecidos contaminados.

Hepatite C: a principal via de transmissão do HCV (vírus da hepatite C) é por meio do contato com sangue e secreções contaminadas. Ocorre por transfusão de sangue e derivados antes de 1992, hemodiálise (pelo compartilhamento de materiais contaminados), compartilhamento de seringas e agulhas no uso de drogas intravenosas e manipulação de material contaminado por profissionais como paramédicos, bombeiros, policiais e manicures.

Sintomas
Hepatite B: não há sintoma aparente ou há apenas um estado semelhante ao de um resfriado. Na forma crônica há o aparecimento de febre, mal-estar, urina escura, fezes esbranquiçadas e amarelão. Sem dar sinais, evolui para quadros graves, como cirrose ou câncer, sem que o paciente perceba o risco que representa para sua saúde.

Hepatite C: a doença raramente provoca sintomas e, da mesma forma que começa, também evolui para quadros graves sem alterações aparentes, para cirrose ou câncer.

Prevenção
Hepatite B: vacina
Hepatite C: não há prevenção.

Leia mais:
Mal que avança sem dar sinais, a hepatite C é capaz de passar até 20 anos lesando o fígado, um dos órgãos mais importantes do organismo, sem dar sequer um sinal de sua presença. De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, cerca de dois milhões de brasileiros podem estar infectados pelo vírus C.

Ou seja: 1,5% da população. As estatísticas também mostram que hoje, a hepatite C infecta cinco vezes mais brasileiros que a Aids.
Uso de drogas com agulhas e seringas compartilhadas, além de acidentes com material contaminado, que corte ou fure a pele, estão entre as formais mais comuns de transmissão. “Pessoas que receberam algum tipo de transfusão de sangue ou derivados antes de 1992 podem ter adquirido a hepatite C, pois não tínhamos tecnologia adequada para identificar o vírus da doença no sangue do doador infectado. Porém, hoje, a possibilidade disso acontecer é mínima”, esclarece Rafael Sani Simões, especialista na área de doenças infecciosas e parasitárias.

A vendedora Carolina Aparecida da Costa, 39 anos foi contaminada por meio de uma transfusão. “Em julho do ano passado, eu comecei a sentir muito cansaço. Achava que era estresse, consultei um médico e fiz vários exames. Descobri que eu estava com hepatite C. A doença já estava em estágio avançado e havia progredido para uma cirrose hepática”, conta.

Na época, Carolina sofreu muito com o preconceito e a falta de informação das pessoas. “As minhas amigas se afastaram e algumas espalharam a notícia de que eu estava com uma doença contagiosa que poderia ser transmitida facilmente. Não desejo para ninguém tudo o que eu passei”, afirma a vendedora.

Viver no mesmo domicílio, almoçar na mesma mesa, apertar a mão, abraçar ou beijar uma pessoa com hepatite C não apresentam nenhum risco de transmissão. “As pessoas devem apenas tomar um cuidado especial com objetos de uso íntimo como escova de dente e lâminas de barbear, que não devem ser compartilhados”, indica Simões.

Segundo o médico, o risco da contaminação por relação sexual é muito baixo. No entanto, o uso de camisinha é fundamental para prevenir a aquisição de outras doenças transmitidas por via sexual.

“O diagnóstico da pessoa contaminada é feito por meio de um exame de sangue chamado de sorologia anti-HCV, que identifica as pessoas que tiveram contato com o vírus C. Posteriormente, outros exames devem ser solicitados para confirmar se a doença está em atividade no organismo”, explica o médico.

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