Liberal e cosmopolita, Amsterdã é a cidade dos canais, dos coffee shops e de grandes museus.
Capital e centro nervoso da Holanda, com 735 mil habitantes, Amsterdã é a lendária cidade de canais (são 165), onde cada agrupamento de quarteirões é uma ilhota ligada à outra por charmosas pontes (1.281). Abriga alguns dos melhores museus da Europa, em especial das artes e da história do último século -através da qual testemunhou as guerras religiosas entre católicos e protestantes, a invasão nazista e a perseguição aos judeus.
Crítica dos absurdos fascísticos e do cerceamento à liberdade, compreende-se o surgimento de sua natureza cosmopolita, liberal, gay e eventualmente transgressora, capaz de chocar os viajantes mais desavisados. Ruas com prostitutas em vitrines, sex shops explodindo em néons, jovens fumando abertamente e uma idéia muitas vezes equivocada do uso livre de narcóticos fazem a imagem junkie de Amsterdã.
Mas existem outras dezenas de Amsterdãs: a mencionada dos museus, a das bicicletas, dos parques, das ruas de comércio, do mercado de flores, dos concertos, dos aconchegantes cafés. Seja como for, é uma das cidades mais encantadoras do continente europeu, mais contida no inverno, radiante no verão, uma visita imperdível, nem que seja por poucos dias para quem de fato planejou Paris ou Londres.
Circulando:
A área central de Amsterdã lembra uma teia de aranha, constituída de canais, em formato oval, que parte de um topo, a estação central, por onde passam quase todas as linhas de tram. As ruas saem desse foco como raios, cortando as elipses dos canais. Uns 400m ao sul da estação está o coração histórico da cidade, a Dam, a praça com a catedral e a antiga prefeitura.
Outras praças importantes e pontos de referência são Leidseplein e Rembrandtplein. Duas palavras básicas para entender a formação urbanística da cidade: straat quer dizer “rua” ou “estrada” e gracht significa “canal”. Este apêndice nas palavras indica que tipo de endereço você está procurando. Adicione plein para “praça” ou “largo” e, pronto, já tem como decifrar os mapas.
O ideal é caminhar por Amsterdã e, com tempo, deixar-se perder por seus canais -o que, aliás, não é nada difícil. A cidade possui uma linha de metrô que liga a estação com o subúrbio sudeste, mas, ao contrário da maioria das capitais européias, o transporte subterrâneo é pouco necessário a turistas. Outras regiões distantes são alcançadas via ônibus, que dentro do veículo dispõem de monitores que informam as paradas seguintes -e por cobradores e motoristas bilíngües que dão informações-, tornando fácil ao usuário situar-se. De qualquer modo, no dia-a-dia, programe-se para utilizar o tram, o simpático e moderno bonde. Suas linhas servem toda a área central, e a viagem é bastante agradável. Uma barbada é a linha 20, que circula pela cidade e passa por muitos de seus pontos turísticos.
O sistema básico de transporte funciona por strips, passagem com espécie de tiras que devem ser carimbadas nas maquininhas dos trams e ônibus ou direto com o motorista, de acordo com o número de zonas que for percorrer. Sempre é marcado uma strip a mais do que o número de zonas. Um single ticket ou bilhete único são 2 strips para uma zona; custa € 1,60. Se for utilizar duas zonas da cidade, deve adquirir um bilhete de 3 strips e custa € 2,40, ou para 8 strips por € 6,40. Ou faça como as pessoas da cidade: compre antecipadamente um strippenkaart com 15 strips e pague € 6,50.
Outra opção, se planeja pegar muito transporte num curto espaço de tempo, são os passes de 1 dia (período de 24h) por € 6,30; 2 dias € 10; 3 dias € 13. Na prática, como um turista de poucos dias em Amsterdã, você deve caminhar bastante e circular de ônibus ou tram ocasionalmente, de modo que pagar um ticket avulso com o cobrador ou direto com o motorista, sem se preocupar muito com a sistemática dos transportes, não será uma grande perda. Caso contrário, os strippenkaart estão à venda em vários postos da cidade, como junto à estação de trem, na Rembrandtplein, na Leidseplein e nas estações de metrô, entre outros locais. Vale considerar, por fim, o I Amsterdã Card, que, além de incluir a “entrada gratuita” ou descontos em museus, garante transporte livre.
Tram, metrô e ônibus funcionam entre 6h e 0h30. Deste horário até as 7h é a vez dos ônibus e trams noturnos, com passagem a € 3. Se você viajar sem ticket ou com ticket não carimbado ou fora de zona e for apanhado pelos fiscais, vai encarar uma multa de € 35. Claro, e o mico de você tentar se explicar na frente de todo mundo.
Táxis, os veículos oficiais são sempre identificados com “taxi”, com placas azuis e motoristas credenciados. Têm autorização para trafegar pelas pistas de ônibus e tram, de modo que podem ser mais rápidos. Uma idéia de custos, a partir da estação central, é em torno de € 8 a Rembrandtplein e € 13 a Museumplein. Táxis não-oficiais costumam ser mais em conta e você deve negociar o valor da corrida antecipadamente. Para circular pelos canais, veja sobre barco em “Atrações/Passeios”.
A bicicleta é o meio de transporte preponderante na Holanda. Só em Amsterdã diz-se haver em torno de 400 mil delas, uma para cada dois habitantes. Há vários locais onde você aluga, como MacBike, junto à estação de trem e na Waterlooplein, e Damstraat, na rua de mesmo nome, próximo à Damsquare. Duas horas custam, em média, € 4-5, 1 dia € 7-9,50 e uma semana € 31,50. Sempre que “estacionar” uma bicicleta, use cadeado, mesmo que seja por poucos minutos para bater uma foto. Ciclovias são marcadas no chão com tinta branca, mas fique atento às regras básicas de trânsito, como as preferenciais e as ultrapassagens. E atenção aos ciclistas: transeuntes surgem do nada. Aos pedestres caminhando pelas ruas (e ciclovias): atenção às bicicletas, elas surgem do nada!
Comes e Bebes:
Próximo à Leidseplein (trams 1, 2 e 5) há muitos bares e restaurantes, alguns com razoavelmente acessíveis tourists menus. Tem restaurantes de comida italiana, grega, vietnamita, argentina, mexicana, brasileira, e por aí vai. Difícil é comer sentado num destes por menos de € 8. Casas argentinas nas redondezas matam a saudade de carne, servida com fritas, por preços relativamente em conta e bastante fartura, tudo nos padrões europeus, é claro. Outros picos gastronômicos ficam ao redor da Dam (trams 1, 2 e 5) e Rembrandtplein (trams 4, 9 e 20). Em ruas adjacentes há boas pizzarias onde você acha uma grande de mussarela por € 5. E não deixe de provar a torta de maçã com nata num café à beira dos canais.
Comida rápida ou mais barata você encontra em quiosques ou lanchonetes, com destaque a kebabs ou pedaços de frango com fritas, entre € 2,50-4. Clássico e engraçado em Amsterdã são os croquetes e salgadinhos à venda em gavetinhas, onde você insere uma moeda, em torno de € 1, para abrir a sua portinhola de vidro. Há um desses fast food, entre outros pontos, próximo à estação de trem. Aos adeptos da cultura de supermercado, Albert Heijn é uma rede com várias lojas, entre elas na Leidesestraat com Prinsengracht. Mais gastronômico, o Plaza Paleis Straat fica atrás da Dam.
Coffee Shops:
Famosos na Holanda e particularmente em Amsterdã, os coffee shops são conhecidos por venderem o que você não encontraria numa “cafeteria” brasileira. Na Europa, mais comum que a maconha é o haxixe, e lembre-se que sair “carregado” de Amsterdã, e principalmente da Holanda, pode ser incômodo- e dos brabos. A saber também que, num coffee shop, se existe terraço ou varanda, você pode sim fumar lá fora. Já fumar em público na rua não é proibido, mas também não é muito simpático. Quase sempre existe um cardápio de haxixe e marihuana em dois idiomas no bar. É vendido já enrolado (neste caso é provável que você sinta mais o gosto de tabaco do que qualquer outra coisa) ou não (alguns balcões dispõem de papel e filtro). Custa uns € 7 por grama. E que o baseado ou o bolso não contenha mais do que 5 gramas. Mais que isso, cana!
O mais conhecido coffee shop é a rede Bulldog; hoje é essencialmente turística. Popular também é o Rookie, Korte Leidsewartsstraat 145, na Leidseplein. Outro é o Tertúlia, na Prinsengracht 312, com um clima mais clean, parece uma loja de chá comum, mas com jeitão esotérico, com cristais, plantas e jogos de mesa. Dá até para levar a mãe junto. Ideal para quem se sente meio fora do lugar em Amsterdã, mas quer conhecer como funciona essa história de haxixe, marihuana. Tem também o tal do Space cake, mas esse é bom evitar. Vale sempre lembrar: se essa não é a sua praia, não “precisa” encarar um baseado. Seja apenas você mesmo.
Museus de história:
Anne Frank Huis (Casa de Anne Frank) - Prinsengracht 267. Trams 13, 17, ônibus 21, 170, 171 e 172 da estação central até Westmarkt. Abre 9h-19h (21h mar/set), fechado no feriado judaico de Yom Kippur. Entrada € 7,50. Uma das atrações top de Amsterdã, não sem razão. Apresenta a casa onde Anne Frank, adolescente judia, ficou escondida por dois anos, junto com seus pais, sua irmã e outra família. Nesse período, escreveu um diário narrando o degradante cotidiano, até serem descobertos pelos alemães. Deportados, Anne e todos os demais morreram em diferentes campos de concentração, com exceção de seu pai, que, sobrevivente, publicou o diário da filha, em 1947. Desde então, o livro tornou-se um best-seller, com mais de 13 milhões de exemplares vendidos em 50 idiomas. Na visita à Casa, você segue um percurso que passa por todo o esconderijo até uma galeria final, com a cronologia da Segunda Guerra, destacando a família Frank no infame cenário. Vale a pena enfrentar as filas (ao fim da tarde e à noite é bem mais tranqüilo) -é um dos museus mais interessantes da Europa, um tributo à liberdade ao conceder uma idéia real do Nazismo, e não apenas no contexto histórico da guerra.
Joods Historisch Museum (Museu Histórico Judaico) - Jonas Daniël Meijerplein 2. Trams 9, 14, 20 até Visserplein. Aberto 11h-17h, fechado em Yom Kippur. Entrada € 6,50/4 (estudantes e maiores de 65). Esta região era um bairro judaico até a invasão nazista, quando seus habitantes foram em sua maioria enviados e dizimados em campos de concentração da Europa. O museu está situado no que eram quatro sinagogas e apresenta a história e as tradições do judaísmo através de fotos, filmes e objetos típicos. Ideal para quem quer saber um pouco mais sobre o povo, a religião e a cultura judaica ao longo dos anos. Freqüentemente há exposições temporárias bem interessantes. Anexo, a Joods-Portuguese Synagogue (Sinagoga Portuguesa), finalizada em 1675 por judeus-portugueses fugitivos de seu país, já foi a maior sinagoga da Europa.
Amsterdã Historisch Museum (Museu Histórico de Amsterdã) - Kalverstraat 92. Tram 1, 2, 5 até Spui, atravesse a rua e siga 150m à esquerda. Abre 10h-17h (11h-17h sáb/dom), entrada € 6. Grande coleção com quadros, esculturas, reproduções, objetos, maquetes, slides, enfim, todos os tipos de mídia para contar a história do povo holandês, que arrancou boa parte de seu país do mar. A variedade de objetos torna a visita leve e agradável.
Verzetsmuseum (Museu da Resistência) - Plantagekerlaan 61. Tram 9, 14 ou 20 até Plantagemiddlen, pegue à esquerda, vire a primeira à esquerda, 150m do lado esquerdo. Abre ter/sex 10h-17h, sáb/dom 12h-17h, entrada € 5,50. Completo museu sobre a resistência holandesa durante a ocupação nazista, com um enfoque incomum: textos e depoimentos de “pequenos feitos” de civis, homens e mulheres comuns que lutaram contra a opressão alemã. A organização de espaço impecável, mais recursos de multimídia e explicações em inglês transformaram esse prédio, que já foi clube de canto, garagem de táxi e posto policial, num dos mais inusitados museus de Amsterdã, ainda não descoberto pelo turismo.
Hollandsche Schouwburg (Museu-Memorial) - Plantagemiddlen 24. Trams 9, 14 ou 20 até a rua, em frente à parada. Abre 11h-16h, entrada gratuita. Em 1942 os nazistas ocuparam esse teatro e aqui passaram a reunir os judeus antes de deportá-los para os campos de concentração. Foram entre 60 e 80 mil pessoas enviadas à morte a partir desse local. Hoje retrata de forma geral a perseguição nazista.
Museus de arte:
Rijksmuseum - Jan Luijkenstraat 1. Trams 2 e 5 até Hobmemastraat ou 6, 7 e 10 até Spiegelstraat. Aberto 9h-18h (22h nas sextas), entrada € 10. Maior museu de arte da Holanda, só o prédio já é um espetáculo arquitetônico. Algumas das obras mais importantes: “The Kitchen Maid” (A Cozinheira), de Vermeer; “Auto-retrato de Van Gogh”; “Auto-retrato de Rembrandt”; e, também de Rembrandt, “The Nightwatch” (A Ronda Noturna) e “The Jewish Bride” (A Noiva Judia).
Van Gogh Museum - Pauluspotterstraat 7. Trams 1, 2 e 5. Aberto 10h-18h (sextas até 22h). Entrada € 10, audiotour € 4. Um dos principais atrativos de Amsterdã, apresenta a maior coleção de pinturas do mestre holandês (incluindo sua coleção privada de outros artistas). Particularmente interessante é o fato de a exposição ser em ordem cronológica, onde percebe-se a evolução de estilo do grande pintor. Novas instalações incluem a ala desenhada pelo arquiteto Kisho Kurokawa, ligada ao prédio original, com exibições temporárias. Ao lado e próximo do museu, respectivamente, localizam-se o Stedelijk Museum e o Rijksmuseum.
Stedelijk Museum - Pauluspotterstraat 13. Tram 2, 5, 20 até Pauluspotterstraat. Fechado até 2008. Informe-se no centro de informações, pois parte do acervo pode estar à mostra em outro local. A exposição inclui obras de Picasso, Monet, Chagall, Matisse e Cézanne, entre outros, e também fotos, gravuras e outras tendências de arte contemporânea.
Rembrandthuis Museum - Jodenbree-straat 4. Trams 9,14 e 20 até Visserplein. Saindo do tram, siga à direita pela rua mais uns 100m. Aberto seg/dom 10h-17h (21h sextas). Entrada € 7,50. Mais Rembrandt: coleção do impressionante impressionista, aqui na própria casa onde o pintor morou.
Hermitage Amsterdã - Nieuwe Herengracht 14. Trams 4 até Rembrandtplein ou 9 até Waterlooplein. Abre diariamente 10h-17h, entrada € 7, mas pode mudar conforme a exibição. O Hermitage é o maior museu da Rússia, localizado em S. Petersburgo, com uma coleção absurdamente extensa angariada em séculos de czarismo. Este em Amsterdã é uma espécie de filial, inaugurada em 2004 e infinitamente menor, com mostras trazidas do original. As exposições são temporárias, e vale se informar sobre o que está passando por lá quando você estiver na Holanda. Pode ser de arte russa do século 18 à história do últimos dias do Czar Nicolau antes da Revolução Bolchevique.
Museus alternativos:
Heineken Experience - Stadhouderskade 78. Tram 16, 24 ou 25 até a parada Heinekenplein. Funciona ter/dom, tour € 10 às 10h e 18h, com informações em inglês e espanhol. Não se produz a cerveja holandesa aqui há muito tempo. Hoje, o local é uma espécie de museu interativo que conta a história da empresa que fabricava a Heineken. O tour começa meio chato, mas vai melhorando. Primeiro a história de como a Heineken começou, depois como se produz a cerveja atualmente e até uma mostra das melhores campanhas publicitárias ao longo das décadas. Antes da esperada degustação, a tal Heineken Experience: você é colocado numa sala e vê, sob o ponto de vista de uma garrafa, como a cerveja da casa é engarrafada e distribuída para o resto do mundo.
Madame Tussauds (Museu de Cera) - Em frente à Dam Square, aberto 10h-18h30. Entrada € 17,75. É uma filial do homônimo em Londres, com as tradicionais figurinhas de famosos, vultos históricos, personalidades e muitos desconhecidos, em escala natural, paramentadas e acondicionadas em seus respectivos contextos históricos. Se você é um fã dos bonecos de cera e estiver indo à capital inglesa, veja lá, onde as peças são mais bem feitas.
Amsterdã Arena - Não é um museu, mas um estádio de futebol, e não qualquer, mas do Ajax, o timão do coração dos holandeses. Para chegar: metrô 54 da estação de trem na direção de Gein para Strandvliet/Arena. Entrada 10h-17h (18h no verão) € 8,50 ou visita guiada (World of Ajax) em inglês, € 10. Dura cerca de uma hora e meia e passa pelo estádio e pelo museu do time.
Sex Museum - Damrak 18, próximo à estação central, abre 10h-23h30, entrada € 2,50. Sexo também é cultura -pelo menos é um argumento que podemos nos dar para visitar este curioso museu. Objetos-fetiche, filmes pornôs do começo do século, infinidade de fotos, gibis, esculturas, instalações, aberrações sexuais, enfim, qualquer coisa que explore aquilo que todo mundo faz, mas não em público.
The Hash Marihuana & Hemp Museum - Oudezijs Achertburgwal 130. Aberto diariamente 11h-22h, entrada € 5,70. Não poderia faltar em Amsterdã um museu dedicado à plantação de maconha, com enfoque histórico, medicinal, religioso e cultural.












